Se alguém te perguntar o quiseste dizer com um poema, pergunta-lhe o que Deus quis dizer com este mundo. (Mário Quintana)
Venha para o chá no Espaço Cultural Templo da Poesia! Neste sábado, dia 7 de novembro/2009.
O Chá com Poesia, que acontece sempre no 1º SABÁDO de cada mês, das 16 às 18 h é um evento poético e musical aberto a toda a população com chá, lanche fraterno, bate-papo e literatura.
O lanche fraterno é sempre compartilhado, tanto quanto a poesia. Por isso solicitamos aos convidados, se puderem, que tragam um alimento saudável para compartilhar neste dia. Tragam um poema para compartilhar no templo.
::: Local
Templo da Poesia Rua Barão de Aratanha, 201 Centro. (esquina com Meton de Alencar)
::: Informações Nilze Costa e Silva: 86438887 ou 3241.02.01 Ítalo Rovere: 88554289 Reginaldo Figueiredo: 86034105 Carlos Amaro: 86596809 Luana Oliveira 87598272
Fortaleza, ilha desgraçada, eu sei que em todo beco tu crucificas um Cristo filho duma mãe desgrenhada que chora estacionei teu livro na prateleira da história onde jaz o morto mito Antônio Sales, Padaria Espiritual Fortaleza, lira de amores, dores, verdes mares, horrores Fortaleza, lida desafinada, por entre becos e ruelas. poetas tortos, tortos poetas Mario Gomes, Praça do Ferreira, copo vazio de cachaça hão de enchê-lo Fortaleza, bebemos tua lama como se fosse vinho do Porto tuas crianças, Fortaleza, tuas crianças em contraste ao chocolate para comê-los e não vendê-los contraste podre Fortaleza contraste riqueza em concreto armado contraste Fortaleza cidade amada armada Mário Gomes Praça do Ferreira assustada.
O cadaFalso participa do evento "A Performance como Linguagem". Serão apresentadas cinco performances seguidas de um bate-papo sobre a relação entre as diversas artes e a linguagem da performance.
::: Local Café Lua em cima da livraria Lua Nova - 13 de maio
::: Ingresso Entrada Grátis
::: Informações Washington Hemmes washmene@yahoo.com.br (85) 8717-2610
De 16h até as 18h o grupo Poemas Violados se reune para chá poético das 5 da tarde. Haverá um recital de poesias, música, chá, lanche fraterno, bate-papo e literatura.
Para ingressar nesse mundo leve um poema para compartilhar no templo. O lanche fraterno será compartilhado, tanto quanto a poesia. Solicitamos aos convidados, se puderem, que tragam um alimento saudável para compartilhar neste dia.
A vida só é possível reinventada (Cecília Meireles)
A Roda de Leitura é uma das atividades culturais do TEMPLO DA POESIA. Nesta próxima quinta-feira será debatida a obra de Cecília Meireles.
A temática tem o intuito de instigar, de forma lúdica e agradável, reflexões a cerca de alguns dos melhores poemas de Cecília Meireles.
A oficina será conduzida pela poeta Teresa Porto, cuja monografia em Teoria Literária dará destaque à obra da autora em estudo.
As Rodas de Leitura e reflexão do Templo da Poesia serão realizadas sempre na segunda quinta de cada mês. São gratuitas e estão abertas ao público, sem quaisquer restrições ou pré-requisitos.
::: Local Templo da Poesia Rua Barão de Aratanha, 201, Centro (Esquina com Meton de Alencar)
Nesta quinta 07 de maio Letras de Bar traz ao Bar do Papai o escritor José Leite Netto. Ele fará uma noite de autógrafos e falará sobre seu trabalho. Você está convidado.
O Livro da Chuva, de José Leite Netto, uma das publicações vencedoras do Edital das Artes 2007 da Prefeitura Municipal de Fortaleza, é dividido em três partes.
A primeira, que carrega o mesmo nome da obra, é composta, em sua maioria, por sonetos, que, apesar de não respeitarem a métrica regular, não deixam de lado a rima e, portanto, possuem ritmo e musicalidade. O eu lírico é o homem que canta os prazeres da vida: o gozo proveniente do amor, da carnalidade e do vinho. O espaço dessa celebração é a cidade de Fortaleza, que ganha contornos míticos. Aliás, o poeta verdadeiramente se debruça sobre a mitologia grego-romana na construção dos poemas: há a presença da folia de Baco, da música de Orfeu, da sensualidade de Vênus. Tais elementos, entretanto, não caminham solitários pelos versos do autor: estão ligados a diversas referências à cultura decadentista dos poetas românticos e simbolistas e à cultura pop do rock’n roll.
Na segunda parte do livro, temos o conjunto de poemas Vermelho Sol de Canudos, um canto de liberdade para o povo oprimido de Canudos. Ao contrário da sobriedade com que Euclides da Cunha tratou do tema, em seu Os sertões, José Leite Netto claramente toma partido em favor dos sertanejos. São versos que retratam a dor da guerra e da perda, do sofrimento e da opressão. Além disso, os poemas são uma exaltação à coragem dos homens e mulheres que lutaram por sua terra, comandados por Antônio Conselheiro.
A terceira parte do livro, intitulada A necessidade do silêncio, retoma alguns temas da primeira parte, como a celebração do amor e do corpo, mas agora há a economia verbal, a preferência pelo verso livre e certa inclinação à poesia nominal, contrastando com a densidade observada nos primeiros poemas. Sem nunca perder o lirismo arraigado de sua obra, o autor também discorre sobre a própria poesia e sobre a tarefa de ser um poeta, um homem a serviço dos próprios sentimentos, buscando a transfiguração através da palavra.
José Leite Netto, em O Livro da Chuva, canta a liberdade: a liberdade da alma, do amor, da criação poética. A linguagem fragmentada dos poemas, facilmente demonstrada pela quebra sintática e semântica dos versos, pode ser entendida como a chuva a que se refere o título do livro: é como se as palavras e frases soltas fossem como gotas d’água sobre o papel, umedecendo o coração dos leitores. Chove poesia sobre a Fortaleza de Iracema.
por Urik Paiva
::: Núcleo de Literatura Rede de Bibliotecas Públicas de Fortaleza Secretaria de Cultura de Fortaleza Rua Pereira Filgueiras, 04 Fortaleza – CE (85) 3105.1358 ? (85) 8749.8561
Durante o lançamento haverá sorteio de CINCO exemplares do livro
“Nilto Maciel, ficcionista conhecido nacionalmente, autor de vasta bibliografia e com várias obras premiadas nos gêneros conto, romance e novela, depois de publicar o citado panorama (Panorama do conto cearense, publicado em 2005) da nossa história curta, qualificou-se como estudioso e crítico desse gênero em nosso Estado.
Não é preciso dizer que atualmente ele tem a dupla autoridade de contista e de analista do conto, razão da importância deste seu mais recente trabalho.”
Sânzio de Azevedo
“(...) Por envergar o hábito dessas considerações, vede, pois o leitor mais um trabalho de excelente qualidade do escritor coestaduano Nilto Maciel, ficcionista da melhor felpa, com visão nacional e, por isso, laureado nos gêneros novela, conto e romance, dos quais é cultor e analista reconhecido. Sobre também ser contista de demarcada essência, agora principalmente, após a edição de Contistas do Ceará, se apresenta definitivamente como um dos nossos melhores historiógrafos literários.
Como o fazem Sânzio de Azevedo, Linhares Filho, Batista de Lima, Francisco Carvalho e outros mentores das letras locais, na apreciação de vários gêneros, Nilto Maciel, pelo auspicioso fato de dominar tão difícil casta de Literatura, serve-se também, com muito agrado e a propriedade peculiar às pessoas cultas, de registar em livro, para estudos dos atuais e pósteros consulentes, os destacados contistas cearenses, imprimindo mais nobreza às nossas estantes e concedendo mais saliência axiológica às produções aqui edificadas. E, ainda mais, consoante anota o prof. dr. Sânzio de Azevedo, à crítica trazida, ajunta antologia, propiciando ao público ledor compadecer seus comentários analíticos aos conteúdos expressos pelos compositores retratados.”
tua alegria triste cidade é carnaval onde os olhos máscaras de Maria sorri negros maracatus de um palhaço vendaval Oxossi é samba ritmos que não sou free
balaio balaieiros mandingas de avenida tambores e feitiços, som que se anuncia zabumba é criança que chora por comida e roda ciranda desejo que em mim crescia.
Maria teu sonho de alecrim vestido de chita tua alma de Shiva, calungas e calçadas minha cuca bêbada cachaça que irrita
sem vinho eu pierrot etílicas madrugadas. Maria morena metade lua pecado e amor tua paz é branca no lado esquerdo de tua dor.
josé leite netto o Livro da Chuva
::: Onde comprar? Livraria Oboé - CenterUM Com o poeta
"Na sala, uma moça esguia/recorta papeis de cor,/fazendo uma ninharia;/dorme um cão no corredor./e embaixo um nédio gatinho/Olha para o passarinho/como quem diz: - Si eu te apanho!...”
(Antônio Sales)
Poeta, dramaturgo, jornalista, cearense. Antônio Sales nasceu na então povoação praieira de Parazinho, hoje Paracuru. Em 1880 já participava com seus escritos em alguns periódicos da capital cearense como “A Avenida”, “A Quinzena”, “O Domingo”, entre outros. Sem sombra de dúvidas, Antônio Sales, mais tarde, se tornaria um dos maiores nomes da literatura brasileira. Só para não deixar de citar um de seus confrades da época, Machado de Assis, o autor da perdurável obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, etc. Ainda moço Sales desfrutara do prestígio de freqüentar a alta intelectualidade cearense, como por exemplo, O Clube Literário, que segundo o professor Sânzio de Azevedo, em nota sobre os Grêmios Literários do Ceará, afirma que o poeta por esses tempos “mal se iniciará na literatura”.
De família humilde, Sales chegara a Fortaleza nos idos de 1884 com apenas 16 anos, na época garantiu seu sustento como caixeiro viajante de casas comerciais, às quais lhes suprimiam as poucas horas ao lazer da leitura, fazendo-se, com muito esforço, autodidata. A poesia de Sales cedo surgiu com “Versos Diversos” (1888) e “Trovas do Norte” (1891). Em 30 de maio de 1892, no Café Java, de Mané Coco, na Praça do Ferreira, Antônio Sales idealiza a Padaria Espiritual que se destacou por sua irreverência postulando a Semana de Arte Moderna de 1922. Curiosamente cada Padeiro se alto denominavam com os respectivos pseudônimos ou “nome guerra”, como por exemplo: Antônio Sales (“Moacir Jurema), Adolfo Caminha (Félix Guanabariano), Rodolfo Teófilo (Lopo de Mendoza), etc. Era a Padaria Espiritual na sua primeira fase com direito a deboches e gargalhadas que mais tarde, no século XX ganharia, a cidade de Fortaleza o epíteto de “Ceará Moleque” com direito a vaia ao sol e um certo Bode Ioiô que segundo contam era bom bebedor de cachaça e apreciador de boa poesia, além de ter sido eleito vereador desta mesma cidade. Dentre os intelectuais que compunham a primeira fase da Padaria estavam: “Ulisses Bezerra, Sabino Batista, Tibúrcio de Farias, Álvaro Martins, Temístocles Machado. Lopes Filho e Antônio Sales”. Já na segunda fase da Padaria Espiritual, Os Padeiros, voltavam suas idéias às questões políticas e sociais sacudindo o âmago dos literatos nos primeiros anos do golpe da Republica, ou melhor, na transição monárquica - republica no governo de Nogueira Accioly.
Foi naquela agremiação literária (Padaria Espiritual) onde Antônio Sales escreveu o seu curioso estatuto - manifesto proibindo a qualquer padeiro recitar ao piano ou escrever versos em língua estrangeira e quem escrevesse em folhas perfumadas seriam sujeitos à pena de vaia ou expulsão. O jornal era O PÃO, veículo por onde eles divulgavam seus escritos denominados de “O PÃO DE ESPÍRITO”, arranhando a sociedade burguesa da época. Faço lembrar um trecho de Adolfo Caminha quando descreveu o perfil social da Padaria na coluna “Sabbatina”, ainda na primeira fase em 1892: “ (...) Somos obrigados a ir, às quintas-feiras e aos domingos, ali ao Passeio Público exibir a melhor de nossas fatiotas e o mais hipócrita e imbecil de nossos sorrisos. (...) Ocupamo-nos de política, mais de uma política torpe, reles, suja, indigna de ser tocada por mãos que calçam luvas de pelica. A literatura e as artes, por assim dizer, são os melhores tônicos para o espírito.”
Lê-se no Artigo 2◦, da Padaria Espiritual que os Padeiros se organizavam de um Padeiro-mor (presidente), dois Forneiros (secretários), um Gaveta (tesoureiro), um Guarda - livros (bibliotecário) e os Amassadores (sócios livres). Sabe-se que o programa de instalação da padaria não se deu no Café Java, mas na Rua Formosa (hoje Barão do Rio Branco). Sales que era inovador, jovem e inquieto pretendia que seus artigos repercutissem lá fora, no Rio de Janeiro. E repercutiu! E com seus 48 artigos “cujo fim é reunir rapazes de letras e artes (...) e fornecer pão de espírito aos sócios em particular e ao povo em grande parte”, fez voltar os olhos dos homens de letra do Rio para aquela agremiação literária e irreverente que em Fortaleza se formava. No 8° artigo diz bem o compromisso dos Padeiros com a literatura, onde se lê: “VIII – As Fornadas (sessões) se realizarão diariamente, à noite, à exepção das quintas-feiras, e nos domingos, ao meio dia.”
Ao lado de Sales, autor de “Aves de Arribação” estava Adolfo Caminha autor de O Bom Crioulo, livro do qual inaugurou o Naturalismo no Brasil, Álvaro Martins, Henrique Jorge e outros de tamanha importância. O Pão circulou tanto durante a primeira fase quanto na segunda num espaço de tempo de 1892 a 1896 somando 36 exemplares. Segundo estudiosos a Padaria Espiritual consolidou a literatura Realista cearense, bem como não podemos deixar de citar, a mola mestra de Rodolfo Teófilo com seu livro A Fome (1890).
Sales foi presidente, ou melhor, padeiro-mor de 1892 a 1894 e dentre outros que tiveram na função de padeiro-mor podemos citar Juvino Guedes, José Calos Junior e Rodolfo Teófilo.
Aos 29 anos, ou seja, em 1897, deixa o Ceará afastando-se quase completamente dos irreverentes poetas da lendária Padaria Espiritual, indo residir no Rio de Janeiro. E entre tantos valores a que chegara às elites literárias nacionais, Antônio Sales vai ao ápice colaborando na fundação da Academia Brasileira de Letras, onde em suas memórias, “Retratos e Lembranças”, publicado em 1938, deixa-nos curiosos ao relembrar formação da ABL a qual participara:
“(...) E foi naquela feia e pobre travessa da Rua do Ouvidor que veio ao mundo a Academia Brasileira de Letras. Foi Lucio Mendonça seu verdadeiro criador e pai (...). Devo alertar que ela não foi muito bem recebida com alvoroço, pelo menos por parte de alguns habitantes da roda ilustre (...). Lembro-me de José Veríssimo, pelo menos, não lhe fez bom acolhimento. Machado de Assis, também, fez algumas objeções. Mas Nabuco e Taunay e outros concordaram (...). Restava discutir-se o primeiro grupo de imortais (...).”
O inesquecível Sales viveu plenamente a época de ouro, não só do parnasianismo, mas do realismo e naturalismo brasileiro atuando na literatura por um período de meio século. Em 1920 regressa ao Ceará após vários anos no Rio de Janeiro, trabalhando como jornalista dos periódicos: “Correio da Manhã” e “O País” entre outros jornais da imprensa nacional. Em 1930 participa intensamente de um novo movimento, agora em prol de reorganizar a Academia Cearense de Letras, escolhendo como seu patrono José de Alencar. Sales foi presidente desta mesma entidade de 1930 a 1937.
Em 14 de novembro de 1940, Antônio Sales, é vítima de hipertensão arterial, falece aos 62 anos. Fecharam-se para sempre os olhos do poeta que viram uma Fortaleza que hoje é (para alguns) esquecida, obscura, distante.
::: Pesquisa
Retratos e Lembranças, Antônio Sales (1938)
Padaria Espiritual, biscoito fino e travoso, Gleudson Passos (2000)
História do Ceará - Grêmios Literários do Ceará, Sânzio de Azevedo.
Aves de Arribação, Antônio Sales – Academia Cearense de Letras.
O Pão – Padaria Espiritual – edição fac-similar – 1982